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sábado, 6 de fevereiro de 2021

XV. INFORDIÁLOGOS na Rocha Treme-Treme - A Quarta Geração

 


Byte e Bit caminhavam lentamente e em silêncio desde a curva da estrada do Monte Clérigo. Pararam por alturas do Rasto-Judeus admirando o areal e a fraca rebentação da preia-mar. O mar parecia um lago, quase sem surfistas. Era a praia de novo para os banhistas, sem perturbações.

— Hoje o mar não está para os surfistas. Nunca te sentiste atraído pelo surf? Isso ajudava-te a ter uma melhor percepção dos ciclos, ciclos temporais.

— Eu não, professor? Para a motoreta ainda tenho equilíbrio, agora para a prancha… Mas o que é que isso tem que ver com os temporais? — Bit não percebera o contexto.

— Quais temporais?! São ciclos que demoram um certo tempo. — Byte mostrou-se um pouco impaciente. — Nas ondas, mesmo nas pequenas, há um momento em que a onda se começa a formar e a água sobe, até um ponto mais alto, a crista, e depois desce até um ponto mais baixo, o vale, e depois retoma a mesma altura da partida. Esse movimento, completo, chama-se um ciclo e, consoante o tamanho da onda, assim é mais extenso, ou seja, demorado, ou mais curto, é o comprimento da onda.


O professor Byte acompanhava a explicação descrevendo movimentos ondulatórios com as mãos em curva, captando a atenção de Bit que as seguia com o olhar, não se poupando a algumas caretas.

— Já percebi! — Exclamou Bit, — aí estão os ciclos! Quando há temporal as ondas são maiores e os ciclos também são maiores, são estes os ciclos temporais.

— Não exageres. Os ciclos duram um tempo e é esse o tempo de que vamos falar, hoje, como nas outras vezes: tempo… até onde o consigamos entender. Lembras-te do tal milhão de operações por segundo?

— Sim, claro. A tal adição com um milhão de parcelas! — Bit ainda atalhou. — Mas isso é muita areia para a minha camineta.

— Claro que é! Conheces a cantiga que diz que “há ondas sem ser no mar”? Pois há ondas no ar, que não se vêm. São impulsos energéticos que transportam energia. Podem ser mecânicas ou electromagnéticas. Por exemplo, a luz propaga-se no vácuo, assim como as ondas de rádio, de TV, microondas, etc.

— Profe, vá um bocadinho mais devagar que já estou almareado com tanta onda!

— Percebo. — Byte, contemporizando. — Precisas apenas de pensar em termos de quantos ciclos terá uma onda em cada unidade de tempo. É a frequência. Mede-se em ciclos por segundo, ou Hertz.

— Isso é mais ou menos quantas ondas por segundo? — Concluía Bit.

— Então, voltando ao milhão de operações por segundo, diz-me lá, quanto tempo é que achas que esse computador levaria para efectuar apenas uma operação, por exemplo adicionar dois números? — Byte fixou Bit, expectante.

— Sei calcular, eu era bom nas aritméticas. Basta dividir 1 segundo por um milhão.

— E o resultado é?… — Byte continuou o desafio.

— Então dá um mil… um milésimo… não, um… coiso. Olhe professor, não sei dizer.

— Pois fica sabendo que se diz um milionésimo de segundo. — Ajudou Byte, e continuou, — Pois hoje vamos entrar na Quarta Geração, e nela, o tempo conta-se em fracções muito inferiores a esse tal milionésimo. E para te confundir mais um pouco, o computador trabalha como as ondas e, em cada ciclo, pode executar uma operação.

Estava-se bem ali, a suave brisa massajava o rosto e refrescava a cabeleira. Dois montinhos de pedras convidavam a sentar.

— Ficamos aqui, até ver. — Byte sacou do caderno. — Este período vai desde 1977 até aos anos 1985 ou 1991, não é uma marca muito exacta.

— Nesta geração os chips, segundo a Tecnologia de Integração em Muito Larga Escala (VLSI) puderam integrar cerca de cem mil transístores. Trouxeram uma substancial redução de tamanho pelo que começaram a ser chamados de microprocessadores.

— Foi então que apareceram os microcomputadores, não foi? — Aventurou-se Bit.

— Na verdade esses já apareceram na geração anterior. Mas é nesta que se dá o grande desenvolvimento do Computador Pessoal, o PC, equipado com os microprocessadores da Intel, como o i286, i386, etc.

— E o Windows vem desse tempo? — Perguntou Bit.

— Sim. Nos anos 70 foram fundadas duas importantes empresas para o desenvolvimento de Sistemas Operativos e pequenos computadores:



A Microsoft, por Bill Gates e Paul Allen,

 





e a Apple, por Steve Wozniak, Steve Jobs e Ronald Wayne.

 

 


— Então estes é que foram os tais cientistas de garagem! — Exclamou Bit, que já tinha ouvido qualquer coisa sobre aqueles dois.

— Sim, é verdade. E das suas garagens saltaram para o mundo do sucesso. Bill Gates, por exemplo, é um dos mais ricos homens do mundo. Foram autênticos pioneiros no desenvolvimento dos computadores de pequeno formato.

— Tão rico assim e temos de pagar tanto por um PC! — Suspirou Bit. — Ficamos aqui, até ver…

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