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sábado, 6 de fevereiro de 2021

INFORDIÁLOGOS na Rocha Treme-Treme

 VII.     Um tear mecânico programável

 

— Entretanto passaram-se quase três séculos sem que se registassem grandes novidades. Hoje vamos falar do século XIX. — Escuta cá, ó Bit, sabes quando é que começou o século XIX?

Bit observava duas traineiras que vogavam frente à rocha, num suave ondular desapareciam totalmente e voltavam a aparecer, como se navegassem em ondas gigantes. Mas não, era apenas um suave ondular… Com a ajuda de um pequeno óculo percebia perfeitamente o nome de um dos barcos: “Boa Viagem II”.

— É o pessoal do César! — Exclamou eufórico. — É o César!

— Bom, estás cá, ou andas no mar? — Remocou Byte. — Perguntei-te se sabias quando é que começou o século XIX.

— O século XIX? Ora quando foi?! — Demorou a resposta fingindo fazer contas de cabeça. — Foi em 1800, Janeiro de 1800!

— Estás enganado. Aliás, como um grande número de pessoas. Foi em 1801. — E explicou para os séculos seguintes. — O Século XX, em 1901, e o actual, em 2001!

— Por essa ordem de ideias, Cristo nasceu no ano 1, não?! — Contrapôs Bit.

— É claro que nasceu no ano 1. — Byte foi peremptório. — Não recuso aprender algumas coisas contigo, mas quanto a este tema, não há discussão. — E continuou a introdução ao século XIX. — Saliento algumas notas deste século: a população europeia atinge cerca de 400 milhões, sendo Londres a mais populosa cidade do mundo com 6,7 milhões de habitantes; foi abolida a escravatura; os franceses vieram por Portugal a dentro; Darwin publica a “Origem das Espécies” e a Igreja zanga-se.

— Já tinha ouvido sobre isso. Mas… — Bit queria voltar à evolução dos computadores.

— O personagem mais importante na entrada do século foi Jacquard. — Byte, pacientemente, continuou. — Filho de tecelão e conhecendo o equipamento paticamente desde criança, construiu em 1804 um tear automático que tinha a capacidade de ler e executar sequências de operações “escritas/perfuradas”, segundo um determinado código, em cartões metálicos, ligados por anéis também metálicos.

 



— Desculpe lá, professor, não percebo bem como é que isso funcionaria. — Bit, com matreirice. — Temos lá na vila, numa arrecadação, um velho tear; diz o meu pai que tem mais de cem anos, e não estou a ver como funcionaria com esses cartões.

— Achas? — Byte, irónico. — Como esse teu tear é manual, fazes a leitura a olho, defines a trama e passas a lançadeira de acordo com instruções mentais! — E continuou. — Fica sabendo que o uso dos cartões perfurados de Jacquard revolucionaram a indústria têxtil e tiveram, alguns anos de pois, uma importante influência no processamento de dados.

— Bem, de teares percebo mesmo muito pouco. — Admitiu Bit. — Mas de cartões perfurados já ouvi falar. A minha tia Matilde, já velhota, foi perfuradora de cartões quando trabalhou em Lisboa. Mas ela dizia que eram para os computadores, e nunca me falou em teares.

— Pois não eram os mesmos. — Esclareceu Byte. — Mas esses mais modernos basearam-se nessa ideia do princípio do século XIX.

— Olhe professor, o César já está de regresso. Vamos também?

— Vamos lá, vamos lá. — Balbuciou Byte, com um encolher de ombros. — Os dias cada vez rendem menos…

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