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sábado, 6 de fevereiro de 2021

INFOR-DIÁLOGOS na Rocha Treme-Treme

 V.        Os Ossos de Napier


— Afinal não trouxeste minhocas da areia… Como vais iscar? — Provocava Byte.

— Simples. — Respondeu Bit. — Apanhei uns mexilhões; os sargos não resistem!

Perante o olhar curioso de Byte, Bit retirou o miolo de um mexilhão, enfiou no anzol, e procurou no seu bornal um bocado de meia de senhora donde puxou um fio que enrolou no anzol, para prender o isco.

— Nunca falha. Garantiu-me o César, da Arrifana. — E fez o lançamento com a sua cana-da-índia. — Este Byte tem mas é a mania! Sabe da História dos Computadores, mas de pesca à linha não é grande coisa. — Disse em voz tão sumida que só ele poderia entender.

— Cá estou para ver. Enfim, ensinar é também trocar saberes. — Byte preparou-se para mais uma palestra. Se fosse no jardim, até lhe chamaria de peripatético, mas ali, na rocha alcantilada, continuaria as referências ao séc. XVII sentado, sem tropeções.

— Já ouviste falar de John Napier? — Byte pretendia dar um ar mais sério a esta charla. — É claro que não, ele andou pela Escócia, Edimburgo, onde existe uma universidade com o seu nome, na passagem do século XVI para o Século XVII! E dos logaritmos neperianos, já?

— Dr. Byte, lembro-me bem das minhas aulas de matemática! — Retorquiu Bit, um pouco irritado. Por tudo e por nada Byte lhe chamava, indirectamente, ignorante. — Usávamos quase sempre a Tabela pois uma máquina de calcular com essa função, nem todos tínhamos.

— Percebo, os cálculos são sempre complicados.— Acrescentou Byte. — Pois Napier inventou um sistema para efectuar cálculos, divisões ou grandes multiplicações, e até raízes quadradas, constituído por várias “tabuinhas” que rapidamente foram divulgadas e eram conhecidas como os “Ossos de Napier”.

— Grandes contas… com tabuinhas! — Admirou-se Bit. — ‘Tou p’ra ver!

Byte vasculhou a sua sacola donde tirou uma caixinha de madeira e montou as barras necessárias para uma multiplicação de 8 algarismos por um:


Devidamente posicionadas, como na imagem, na linha 1 o multiplicando, e na coluna 1, a dos multiplicadores, procura-se a linha correspondente ao 7; na continuação dessa linha faz-se a soma dos dois algarismos em cada diagonal (da direita para a esquerda) e obtém-se assim, rapidamente, o produto, não esquecendo que quando a soma dos dois algarismos for igual ou superior a 10, temos de considerar o transporte (e vai 1).

— Ena pá! Estou siderado! Tão simples… e tão eficaz!— Suspirou Bit. — É quase como o “ovo de Colombo”!

— Ficaste tão concentrado nos “Ossos” que até te esqueceste da pesca. Olha a tua cana como verga. Não montaste o chocalhinho?

Mais uma vez Bit se irritou. Byte percebia de tudo, e de qualquer coisa fazia uma aula. Mas de pesca, quem percebia era Bit. Começou a enrolar o carreto, sentindo o peixe rabiar na ponta da sedela.

— Belo peixe! — Exclamava Bit com satisfação. — Devagar, devagarinho. Não te soltes que vais parar à grelha para o jantar.

Lentamente, muito lentamente, puxou a dourada para cima da rocha.

— Mais de um quilo, Byte. Vai dar para os dois! — E retribuindo a ironia de Byte — Vamos precisar dos Ossos de Napier para dividi-la!

CarlNasc

Webgrafia: en.wikipedia.org; www.history-computer.com;www.computinghistory.org.uk;computerstory.weebly.com/

 


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