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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A Arte de Pescar em Toda a Web!!!

Pesquisar na Internet pode ser uma tarefa mais complicada do que se espera. Requer algum cuidado e uma certa técnica para a construção dos argumentos de pesquisa.

Por exemplo, se quisermos saber alguma coisa sobre o figo (fruto), o mais provável é sermos inundados com largos milhares de respostas sobre o Luís Figo. Para este exemplo obtive cerca de 15.000.000 de resultados em 0,32 segundos. Agora imaginem o trabalho para seleccionar o que pretendo!...


Uma ajudinha para a elaboração de pesquisas mais rápidas e eficazes pode ser encontrada neste texto sobre "A Arte de Pescar em toda a Web". Vá ver.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Um poema Cibernético


Como disse no último post, as novas tecnologias têm estendido a sua influência a variadas áreas, não deixando indiferente o setor intelectual desde os tempos da sua ainda pouca expansão, em que se mantinha num elevado gabarito, e até desconhecimento da maioria da sociedade, tempos pré-históricos relativamente ao advento da micro-informática, em que os computadores eram geralmente referidos como ordenadores, dada a frequência com que eram utilizados para esta função na altura.
Um dos literatos que incluiu o computador na sua poesia foi o Prof. Vitorino Nemésio, intelectual açoriano falecido em 1978, poeta, romancista e ensaísta, e extraordinário comunicador, cujo programa televisivo “Se bem me lembro…” entreteve semanalmente e durante meia dúzia de anos uma vaga de admiradores colados ao pequeno ecrã.

No seu livro Limite de Idade, publicado em 1972, o poeta revelou um ”[…] poema cibernético […] para enfatizar a redundância do pensamento poético-electrónico”.  In "«Limite de Idade» : a imagética" / Euryalo Cannabrava. In: Revista Colóquio/Letras. Ensaio, n.º 24, Mar. 1975, p. 41-44.

Semântica Electrónica


Ordeno ao ordenador que me ordene o ordenado
Ordeno ao ordenhador que me ordenhe o ordenhado
Ordinalmente
Ordenadamente
Ordeiramente.
Mas o desordeiro
Quebrou o ordenador
E eu já não dou ordens
Coordenadas
Seja a quem for.
Então resolvo tomar ordens
Menores, maiores.
E sou ordenado,
Enfim ‑ o ordenado
Que tentei ordenhar ao ordenador quebrado.
‑ Mas ‑ diz-me a ordenança ‑
Você não pode ordenhar uma máquina:
Uma máquina é que pode ordenhar uma vaca.
De mais a mais, você agora é padre,
E fica mal a um padre ordenhar, mesmo uma ovelha.
Velhaca, mesmo uma ovelha velha,
Quanto mais uma vaca!
Pois uma máquina é vicária (você é vigário?):
Vaca (em vacância) à vaca.
São ordens...
Eu então, ordinalmente ordeiro, ordenado, ordenhado,
Às ordens da ordenança em ordem unida e dispersa
(Para acabar a conversa
Como aprendi na Infantaria),
Ordenhado chorei meu triste fado.
Mas tristeza ordenhada é nata de alegria:
E chorei leite condensado,
Leite em pó, leite céptico asséptico,
Oh, milagre ordinal de um mundo cibernético!

        Vitorino Nemésio, Limite de Idade (1972)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Coisas novas em coisas antigas...


Coisas novas em coisas antigas

Gostaria de iniciar esta série de croniquetas sobre as Novas Tecnologias (NT), Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), Processamento de Dados (PD), Information Technologies (IT), Data Proccessing (DT), etc., etc., enfim, Informática, com uma referência ao posicionamento de novidade que elas (ainda) constituem, mesmo para aqueles que como eu, lidam com elas há mais de quarenta anos. Com efeito as Novas Tecnologias já têm barbas, e se são brancas(!), mas ninguém contesta a designação de “novas”!

Sempre têm suscitado posições antagónicas sobre a sua bondade, antagonismo este que as equipas de desenvolvimento e os interesses corporativos que investem nesse desenvolvimento têm levado a melhor.

E hoje, ultrapassadas as questões do desemprego que alguma vez causou, todos lhes reconhecem a imprescindibilidade para a resolução desde os probleminhas mais triviais até às situações mais sofisticadas da exploração espacial, da investigação, da saúde, da domótica, da robótica, inclusivamente nos meios fabris, na miniaturização, enfim, no próprio trabalho.

Nenhum setor da sociedade ficou indiferente ao desenvolvimento tecnológico. E até áreas habitualmente mais conservadoras não deixaram de lhe fazer a devida referência. Surpreendentemente, até o Fado. E não apenas o Fado dos novos fadistas e do “património da humanidade”. Este foi uma criação do fadista Carlos Zel (1953-2002) que foi o primeiro (e talvez ainda o único) a cantar a Internet e a usar terminologia informática na letra do Fado da Internet (música e letra de Daniel Gouveia (©Movieplay)).


Eis as palavras do Fado da Internet

 O fado p’ra ser castiço não é, por isso, antiquado
Deve, até ser “P’ra frentex” e assim é que se trata hoje o fado
Graças ao computador, p’ra se compor, com grande afã,
Digita-se no teclado e o resultado vê-se no “ecran”.

Pode-se falar de tascas, rameiras rascas, vida indecente,
Mas não se vai à taberna e quem alterna é a corrente.
Pode o Faia ser gingão, falar calão, andar à crava
Pode a fadista usar xaile, mas é num “file” que isto se grava.

Para que a gralha se evite, faz-se um “delete” e, a seguir,
Se a memória já não vive, faz-se um “retrieve” no mesmo “dir”.
“Enter” que estás a agradar, convém salvar, se a coisa interessa.
Mal a letra se define, com “Print Screen” sai logo impressa.

Com o título ninguém teime: faz-se “rename”, nem se discute.
E, se a CPU pendura, tudo tem cura, basta um “reboot”.
Guitarras virtualizadas, vozes filtradas por fios eléctricos,
O fado activa circuitos e os seus intuitos são cibernéticos.

Já não se escreve em toalha a boa malha que vem à mente.
Esse bom tempo findou-se, agora é “Windows” o ambiente.
O fado é feito com “Bits”, em “Micro-chips”, mora em “Disquette”,
Mas não deixa de ser fado. Está paginado na “Internet”.